-"Ei, você é o primeiro que chega aqui para jogar que não fica apertando só o mesmo botão inúmeras vezes. Você joga bem".
- "Ah, valeu".
Não que esse elogio proferido por Takanori Goshima, um dos desenvolvedores do Team Ninja, tenha alguma influência sobre a minha opinião a respeito de Ninja Gaiden 3, já que o jogo sempre foi uma das minhas apostas para a E3 desse ano. Mas foi muito bom ouvir o elogio de um dos caras envolvidos no jogo, afinal, todo o treinamento no Master Ninja de NG2 finalmente serviu para alguma coisa.
Sedas rasgadas, Ryu Hayabusa está para retornar e as coisas parecem andar muito bem, mesmo sem Tomonobu Itagaki, ex-líder do Team Ninja, responsável pelo revival da série com o visual 3D. Com uma dificuldade mais moderada (focada em novos jogadores), novos personagens e a promessa de uma experiência multiplayer, NG3 parece que não vai decepcionar.
O ponto chave da demonstração é colocar em pauta "como é matar realmente outro ser humano". A simulação, que em tese parecia não se encaixar propriamente na mecânica de um jogo do Team Ninja, mostrou-se bem mais simples que a imaginação fértil deste que vos escreve. Apesar de Ryu se mexer exatamente como em NG2 - inclusive o mapeamento e realização de certos combos *IZUNA OTOSHI FTW* -, seus ataques ganharam um impacto mais atraente, com a impressão mesmo de que estamos cortando algo/alguma coisa.
Grande parte dessa nova sensação de imersão se dá na criatividade em explorar os sentidos do jogador. Para aumentar a veracidade de um corte da Dragon Sword, você tem o ruído da carne e ossos se partindo, precisa (às vezes) apertar repetidamente o botão para que a espada trespasse o corpo moribundo e também tem a vibração do controle, que vai mudando de intensidade sempre que necessário. Some tudo isso à sequências em formato quick time e você terá uma visão parcial dessa nova "sensação" que os desenvolvedores queriam explorar desde o começo.
Goshima me explicou que o Team Ninja queria fugir da "banalização da morte", por isso, Ninja Gaiden 3 não contará com aquela mecânica de desmembramento. O problema é que os cortes executados pelo ninja são tão profundos que fica estranho não acontecer nada com o defunto. Alguns soldados inimigos rastejam e suplicam por ajuda, deixando ao seu julgamento se devem ou não sucumbir à sua misericórdia.
A parte gráfica também sofreu alterações. Aqueles desenhos lisos, como se tivessem sido encerados dos primeiros jogos, passaram por uma remodelagem, como se tivessem ganhado um filtro de ruídos, deixando o jogo muito mais bonito que os anteriores.
Um novo começo
A primeira coisa que notamos quando nos colocamos frente à frente ao novo Ryu Hayabusa, é essa substância vermelha e gosmenta que envolve seu braço direito. O desenvolvedor explicou que isso acontece por conta de uma maldição, e que os acontecimentos do jogo anterior são responsáveis diretos por isso. Goshima disse que isso funciona como carma, yin/yang, e que Hayabusa está pagando o preço pelas atrocidades que cometeu durante a vida.
Se existe algo que o herói tenha na consciência, talvez seja o desejo de vingança ocasionado pela destruição de sua vila (e clã), no segundo jogo. Como ele não é o tipo de ninja que deixa essas coisas passarem, ele vai atrás dos culpados e elimina da face da Terra os ninjas do Clã das Aranhas Negras. Não deixando por menos, ainda dá cabo dos Quatro Senhores do Mundo Inferior e seu quase Deus, o Archifiend. Logo após dos créditos finais do jogo, podemos presenciar Ryu Hayabusa prestando uma homenagem à Genshin, líder do Clã das Aranhas Negras, transformando a poderosa Blade of Archfiend numa lápide para o guerreiro - e dando a entender que esse é apenas o "Nindou" que todos os ninjas devem seguir, sem depositar rancores pessoais nas atitudes do seu rival.
Como tudo ainda é um mistério em se tratando da história de NG3, só podemos supor essas coisas. Se isso é mesmo uma maldição, então é uma maldição muito bem vinda. Na atual mecânica do jogo, ao matar uma certa quantidade de inimigos, o braço do shinobi começa a brilhar fortemente. Segurando o botão de ataque forte, você descarrega toda essa energia em uma sequência de golpes que matam até três inimigos de uma vez (sempre em eventos do tipo quick time).
A primeira coisa que nos damos conta durante a demonstração do jogo, é que o rapaz misterioso que recebe a CIA em seus aposentos, é ninguém menos que Ryu. Sem máscara, mas com seus olhos escondidos na penumbra, podemos ver, pela primeira vez, qual é a aparência que ele esconde debaixo da máscara. Piadas à parte, mas quando ele está de uniforme, a única coisa que vemos são seus olhos, e quando está em casa, relaxado, a única coisa que não vemos, são seus olhos. Faça as contas...
Os agentes da CIA explicam que receberam uma carta de resgate e querem que as habilidades marciais do herói japonês sejam postas em prática em Londres. Ryu diz que não entende porque a CIA veio à sua procura, e então descobre que são os terroristas que o querem no campo de batalha.
Durante a missão, novas formas de eliminar os inimigos são apresentadas ao jogador. A primeira delas é a transformação do rolamento do herói numa espécie de carrinho. Ele serve para esquivar dos ataques e fazer os atacantes perderem o equilíbrio. Mortes sorrateiras no nevoeiro também fazem parte da demonstração. Aqui é preciso usar seu sentido de direção (acionado com o R3) e chegar bem devagar até o soldado despreparado, aplicando um golpe fatal.
A inteligência artificial deixa um pouco a desejar. Mesmo jogado no Hard, a dificuldade do jogo não aparenta ser um desafio interessante aos já iniciados na franquia. Não que ela seja um total desastre, mas quem para quem já enfrentou aqueles malditos ninjas marrons com kuanis explosivas do primeiro jogo, e os cachorros infernais do segundo, Ninja Gaiden 3 tá molezinha.
Informações sobre quantidade de armas, modos multiplayer e personagens selecionáveis foram completamente ignoradas pelo entrevistado. "Não posso falar sobre isso ainda, aguarde mais um pouco" era a resposta padrão de Takanori Goshima. Mas ele adianta que o "Homem da Máscara Branca" tem um papel muito importante no desenrolar da história.
Ninja Gaiden 3 é previsto para o começo do ano de 2012.



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